Nas 40 décadas finais do śeculo XX (1960, 70, 80, 90) e nos primeiros 25 anos do século XXI as gerações experimentaram uma série de fortes ondas e avalanches repetitivas de presença maciça da música importada nas rádios, tvs, mídias e streamings. Algumas realmente cheias de qualidade.
Editor
São Paulo, 20 de Outubro de 2025
4.4 Minutos.
A questão incial é o jogo de emoções que este fenômeno invasor, proveniente de uma cultura ou processo civilizatório (leitura antropológica) mais forte, imperialista, é capaz de despertar nos jovens em idade de formação escolar básica.
Pensando no choque da língua, na línguagem musical utilizada, nos intrumentos e ferramentas de suas criação e divulgação, percebe-se que o nativo torna-se a vítima desta colonização cultural. De certa forma brutalizado no essencial de suas raízes. Isso, claro se adequarmos o nosso pensamento na questão da nacionalidade e seu substrato social. Ou seja, na realidade cindida que se estabelece entre os componentes desta sociedade, os neófitos e os seus pais e avós.
Mas, não só isso. Linguagem musical tem sonoridade, ritmo, métricas, acentos, fluidez e estruturas que obedecem naturalmente aos processo neuropsiquicoemocionais, portanto, na pessoalidade, de cada ouvinte, praticante. O cérebro é plástico, molda-se. Tudo bem, ele aprende, apreende, desparende e reaprende. Quem canta aqui canta no Japão.
Música e formação na Invasão Cultural
Contudo, esta é uma característica a ser entendida e ‘dominada’ somente a partir de certa idade mental, intelectual, espiritual. Um impúbere está em plena formação absorvendo tudo. A aqui temos uma questão básica de quantificação e da massificação de um projeto.
Estruturas complementares de dominação – Música, cinema – Educação
Assim, subitamente, a geração que hoje se denomina boomer teve de encarar uma alteração mental, neuropsíquica. Obrigatoriamente esta ocupou espaços antes destinados e acomodados em modos tropicais, ensolarados, cuja paisagem sonora era complexa ao seu modo, mas amigável e cheia de caminhos, trilhas, hiatos. Sendas pelas quais e onde fluiam e se reproduziam os sons de seu interior sonhador, livre, construtivo e criativo.
“Índios”, sabiás, uirapurus, canários e outros cantores naturais traduziam a aspereza da realidade natural em melodias que se interconectavam. Desta forma, todos entoavam seu canto de vida, no equilíbrio possível entre vida e morte. Cada um em seu espaço. A eles se misturaram invasores europeus, houve trocas, houve interações, mas o espírito do ser natural, o sentido absoluto do pertencimento corrompeu-se.
Na Música, surgiram harmonias, ritmos e melodias sincréticas teradutoras de rara beleza. Os sambas e todas as suas variantes, as da alma e as do espírito do tempo. Arte e comércio. O Choro, as Catiras, o Forró.
Música e formação na Invasão Cultural
Entre brancos, pretos e índios solfejavam os espaços de resistência, da formação, tradição e continuidade. Uma aura ideológica presente se repete no bordão: “não se esqueçam de onde vieram – para poderem entender onde estão – e traçar os rumos do amanhã”! (Cante sincopadamente, como num samba tradicional da Bahia, Rio de Janeiro~, São Paulo ou Minas Gerais.)
Derrubaram os muros da liberdade
Então explodiram a bomba. E a vida se contorceu em dor, medo e recolhimento enquanto brotava uma nova árvore, tambérm retorcida, alterada. Suas cores e frutos estavam contaminados dos efeitos do choque provocado pela ruptura dos átomos. Levados pelos ventos. As respostas, meus amigos, caíram em terrenos inocentes e de suas sementes brotou o que foi plantado. Em todo o canto.
Novas e estranhas melodias, novas e outras palavras. Novos instrumentos e a energia que saia antes do croação e do espírito dos cantores naturais, mais do que apenas transportar os sons passou a ser produzida por motores, válvulas, capacitores, bobinas. Eletricidade. Revolta, incertezas, oportunidades – os jovens souberam canalizar suas dores e dúvidas.
Em sete notas a tradução de todas as contradições de uma época caótica, onde se passou a desenvolver uma sequência repetitiva e sem criatividade, cruel e impositiva, excludente e plena de fenômenos artificiais criados para demonstração de poder. Arrombamentos.
Rock and Roll – do protesto ao show business
Meios de expressão e a necessidade de acreditar que podemos avançar e superar são notados na confecção de tons e semitons, dodecafônicos. Partituras em intervalos de infinitude. Entre um e dois, do infinito ao zero e eterno retorno. Aqui no Brasil Villa Lobos, a bossa nova, Jobim, João Gilberto, seus discípulos e dignos representantes de nossa grandeza ergueram barreiras.
Música e formação na Invasão Cultural
Das espadas e flechas, das espingardas, das bombas, canhões, pistolas e metralhadoras às guitarras elétricas com cordas de metal, o império do aço – a Era dos metais – vem se ampliando sem deixar de ser e cantar a mesma canção monótona.
As pedras continuam rolando. Espalhadas pela força da explosão. Big bang XXI. O verso de dor e medo, contrapondo-se às escalas e notas ascendentes da árvore retorcida da esperança.
Ruim ou não, acredito que temos de respeitar as nossas raízes e entender que dos frutos por nós colhidos e das sementes que espalhamos, muito de importante se registra. Nossa linguagem musical fruto de nossa natureza e interações com ela, nos levou como país, cultura e projeto civilizatório a dar a volta ao mundo.
Não fomos nós que soltamos as bombas. A lógica de nossa viagem se traduz por uma máxima poética: “Viver não é preciso. Navegar é preciso!” Assim, vamos tocando. Misturando samba, jazz, rock, forró…
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