Fala-se em centros harmônicos, relacionados a chacras, ou a pontos específicos no cérebro e talvez no corpo que se manifestam, vibram com a Música e reagem. Dança, choro, arrepios, alegrias – sentimentos despertos e emoções. Fora deste espectro místico a Ciência nos traz novas e curiosas informações.
Redação
São Paulo,21 de agosto de 2025
6.6 Minutos.
A música existe em quase todas as sociedades. Ela possui características acústicas universais e é processada por circuitos neurais distintos em humanos. Mesmo sem experiência em treinamento musical.
No entanto, ainda não está claro como essas características inatas emergem e quais funções elas desempenham. Neste artigo, usando uma rede neural profunda artificial que modela o processamento de informações auditivas do cérebro, mostramos que unidades sintonizadas com música podem emergir espontaneamente ao aprender a detecção de sons naturais, mesmo sem aprender música.
As unidades seletivas à música codificaram a estrutura temporal da música em múltiplas escalas de tempo. Elas seguindo as características de resposta em nível populacional observadas no cérebro.
[N.E.: Espírito do tempo? Na Grécia antiga, mesmo antes do período clássico, um matemático chamado Pitágoras fez grandes descoberta. Após análises e experimentos, ao dividir uma corda em diversos intervalos e obter variantes sonoras (melódicas) descobriram-se as primeiras harmonias (blocos organizados ou intervalos de ordem matemática). Reproduziram-se com o tempo e se modificaram de acordo com as tecnologias e materiais utilizados. Da pedra, ao osso, da madeira, da crina de cavalo, couro ou cerdas de javali, ao ferro, ao aço, ao nylon – símbolos da evolução material humana no seu pretenso domínio sobre a Terra.]
Avanços científicos sobre a Música em nosso cérebro
Descobrimos que o processo de generalização é crítico para o surgimento da seletividade musical. Esta seletividade pode funcionar como uma base funcional para a generalização do som natural, elucidando assim sua origem. Essas descobertas sugerem que a adaptação evolutiva para processar sons naturais pode fornecer um modelo inicial para o nosso senso de música.
A música é um universal cultural de todos os seres humanos. Ela contém elementos comuns encontrados em todo o mundo, mas não está claro como tal universalidade surge. Portanto, a percepção e a produção musical decorrem da capacidade do nosso cérebro de processar informações sobre elementos musicais. Ou seja, a questão da universalidade está intimamente relacionada a como se desenvolvem os circuitos neurais para processamento musical.
Assim como os universais surgem durante o processo de desenvolvimento, independentemente da diversificação de circuitos neurais derivada da espetacular variedade de estímulos sensoriais de diferentes culturas e sociedades.
Ela está em tudo e em todos, de todos os tempos, ao seu modo.
Em nosso cérebro, a música é processada por populações neurais seletivas à música em regiões distintas do córtex auditivo não primário. Esses neurônios respondem seletivamente à música e não à fala ou a outros sons ambientais.
Várias observações experimentais sugerem que a seletividade musical e a capacidade de processar as características básicas da música se desenvolvem espontaneamente. Isso significa que prescindem da necessidade especial de treinamento musical explícito. Por exemplo, um estudo recente de neuroimagem mostrou que populações neurais seletivas à música existem não apenas em indivíduos que tiveram treinamento musical explícito. Porém, também em indivíduos que quase não tiveram treinamento musical explícito.
Além disso, foi relatado que até mesmo bebês têm a capacidade de perceber múltiplas características acústicas da música. Do mesmo modo como a melodia que é invariável a mudanças no nível de tom e no andamento, semelhante aos adultos. Uma explicação intuitiva é que a exposição passiva à música ao longo da vida pode inicializar as populações neurais seletivas à música. Já que a audição ocorre mesmo durante os períodos pré-natais.
Ouvindo os sons da floresta – e ouvindo discos-dvds-streams de orquestra tocando Música clássica
No entanto, a maquinaria básica do processamento musical, como a segregação sonora baseada na harmonicidade, foi observada não apenas em ocidentais, mas também em nativos da Amazônia que tinham exposição limitada a tons simultâneos na música. Entretanto, essas descobertas levantam especulações sobre se a exposição à música é necessária para o desenvolvimento de uma forma inicial de seletividade musical. Apesar de que a plasticidade subsequente dependente da experiência possa refinar ainda mais os circuitos.
Estudos recentes de modelagem usando redes neurais profundas artificiais (DNNs) forneceram insights sobre os princípios subjacentes ao desenvolvimento das funções sensoriais no cérebro. Em particular, foi sugerido que uma codificação funcional semelhante à do cérebro de entradas sensoriais pode surgir como um subproduto da otimização para processar estímulos naturais em DNNs.
Por exemplo, as respostas de modelos de DNN treinados para classificar imagens naturais foram capazes de replicar respostas corticais visuais e poderiam ser exploradas para controlar a resposta de neurônios reais além do nível de ocorrência natural. Até mesmo funções cognitivas de alto nível foram observadas em redes treinadas para classificar imagens naturais, ou seja, o efeito de fechamento Gestalt 23 e a capacidade de estimar o número de itens visuais em uma cena visual.
Ouvido universal e a capacidade de juntar registros sonoros de modo organizado
Além disso, uma DNN treinada para classificar gêneros musicais e palavras demonstrou replicar respostas corticais auditivas humanas. Assim, isso implica que tal otimização de tarefa fornece um meio plausível para modelar as funções do córtex auditivo.
Neste artigo os cientistas investigaram um cenário no qual a seletividade musical pode surgir como um subproduto da adaptação ao processamento de som natural em circuitos neurais . De modo que os padrões estatísticos de sons naturais podem restringir a base inata da música em nosso cérebro.
Mostramos que, em uma DNN treinada para detecção de som natural, a música é distintamente representada, mesmo quando a música não está incluída nos dados de treinamento. Descobrimos que tal distinção surge da resposta das unidades seletivas de música na camada de extração de características.
As unidades seletivas de música são sensíveis à estrutura temporal da música, como observado nas populações neurais seletivas de música no cérebro. Investigações posteriores sugerem que a seletividade musical pode funcionar como uma base funcional para a generalização do som natural, revelando como ele pode surgir sem aprender música.
Em conjunto, esses resultados apoiam a possibilidade de que a pressão evolutiva para processar o som natural contribuiu para o surgimento de um modelo universal de música.
A ÍNTEGRA deste artigo poder ser lida aqui (e/ou baixe um PDF aqui).
Artigo de apoio: Gestalt
[N.E.: Música em estado natural são os sons produzidos pela natureza e os seres/elementos nela atuantes. Uma das capacidades humanas é decodifica-la de acordo com nossos instintos, cultura, estímulos e ligações neurosensoriais em determinados locais do nosso cérebro. Grosso modo, a criação de notas musicais facilita a leitura e a transmissão dos sentidos desta interpretação.]
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